18/08/2016

Atos de Misericórdia - A virtude da Misericórdia


A OBRIGAÇÃO DE PRATICAR ATOS DE MISERICÓRDIA
Trechos do livro em quatro volumes do Pe. Miguel Sopocko 

“A virtude da misericórdia é o laço de fraternidade entre os homens, que salva e consola todos os que sofrem; é a imagem da Divina providência, porque tem o olhar aberto às necessidades do próximo; é sobretudo a imagem da Divina misericórdia, como disse o Salvador: “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).Devemos compreender que essa virtude não nos é apenas aconselhada, mas é uma estrita obrigação de todo cristão. Muitas pessoas têm uma noção errónea a respeito da virtude da misericórdia; pensam que praticando atos de caridade estão fazendo apenas um favor e um sacrifício que depende da nossa vontade e do nosso coração bondoso. No entanto o que ocorre é inteiramente oposto.

A virtude da misericórdia não é apenas um conselho que se possa seguir ou deixar de praticar sem pecado; ela é um direito estrito e uma obrigação. Ninguém pode eximir-se de praticá-la. Isso resulta da Sagrada Escritura, da voz da razão e do nosso relacionamento de fraternidade. Já no Antigo Testamento essa virtude obrigava estritamente a todos. Lemos nos livros de Moisés: “Nunca deixará de haver pobres na terra; é por isso que eu te ordeno: abre a mão em favor do teu irmão, do teu humilde e do teu pobre em tua terra” (Dt 15, 11).
(...) Com maior intensidade anda a obrigação da misericórdia nos é imposta pelo nosso Salvador. Ao descrever o Juízo Final, Ele põe na boca do juiz esta sentença:“Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos” (Mt 25, 41). (...) Como única razão disso menciona a falta de atos misericordiosos em relação aos semelhantes: “Porque tive fome e não Me destes de comer. Tive sede e não Me destes de beber. Fui forasteiro e não Me recolhestes. Estive nu e não Me vestistes, doente e preso e não Me visitastes... Em verdade vos digo: todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer” (Mt 25, 42-45).Após essas palavras de Jesus Cristo, certamente não é preciso comprovar que a virtude da misericórdia é uma estrita obrigação, visto que o Deus justo não pode castigar pelo que não é ordenado.
(...) Inúmeras passagens da Sagrada Escritura falam da recompensa temporal pela misericórdia demonstrada aos semelhantes: “Quem faz a caridade ao pobre empresta a Iahweh, e Ele dará a Sua recompensa” (Pr 19, 17).(...) Bênçãos e graças muito maiores promete Jesus Cristo aos misericordiosos: “Dai, e vos será dado (...), pois com a medida com que medirdes sereis medidos também” (Lc 6, 38).(...) A recompensa da misericórdia não se restringe a coisas temporais. Cem vezes mais valiosos são os bens espirituais com que Deus recompensa essa virtude, e encerram-se todos eles numa só palavra: perdão e graça junto de Deus. Esse é o maior bem, o mais valioso tesouro, a mais cara pérola que podemos encontrar facilmente, se praticarmos a virtude da misericórdia em relação aos semelhantes.
Se alguém teve a infelicidade de enfraquecer a sua fé e erra pela vida como um cego, seja misericordioso e nesse caminho reencontrará sem dúvida a luz celestial perdida. E se alguém ainda não conseguiu atingir o conhecimento da Divina misericórdia e por isso não pode imitá-la, comece a praticar a misericórdia em relação aos semelhantes e certamente se cumprirão em relação a ele as palavras do Salvador:“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7).(...) A virtude da misericórdia alcança-nos as graças e a luz, purifica-nos dos pecados, encaminhando-nos ao Sacramento da Penitência, salva a alma da morte ou da condenação eterna, como diz a Sagrada Escritura: “Pois a esmola livra da morte e impede que se caia nas trevas” (Tb 4, 10).
(...) Para alcançarmos pelos atos misericordiosos a recompensa eterna, eles devem corresponder a certas condições, a saber: devem ser praticados com intenção pura, de bom grado, continuamente e sem levar em consideração as pessoas a quem os proporcionamos.
(...) Que grande honra é substituir a Deus na terra praticando essa misericórdia, retirando os nossos irmãos da miséria e afastando as suas deficiências físicas ou morais!
(...) Que grande felicidade é para nós que Deus permita de forma tão fácil fazer penitência pelos nossos pecados e merecer a recompensa eterna!”

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