Poesia 36
O meu coração ardente quer dar-se
sem cessar
Ele precisa de provar a sua
ternura
Ah! quem poderá compreender o meu
amor?
Que coração quererá
compreender-me?...
Mas em vão reclamo uma retribuição
Jesus, só Tu podes contentar a
minha alma
Nada, poderia encantar-me na terra
A verdadeira felicidade não
encontra aqui…
A minha única paz, a minha única
ventura
O meu único Amor, és Tu senhor!...
Tu que soubeste criar o coração
das mães
Encontro em Ti, o mais terno dos
Pais!
Meu único Amor, Jesus, verbo
Eterno
Para mim o Teu coração é mais do
que maternal
Em cada instante, segues-me,
guardas-me
Quando Te chamo, ah! nunca demoras
E se por vezes pareces esconder-Te
És Tu que vens ajudar-me a
procurar-Te
É só a Ti, Jesus, que eu me prendo
É aos Teus braços que eu acorro e
me escondo,
Quero amar-Te como uma criancinha
Quero lutar como um guerreiro
audaz
Como uma criancinha cheia de
delicadeza
Quero, Senhor! Encher-Te de
carícias
E no campo do meu apostolado
Como um guerreiro, lanço-me ao
combate!...
O teu Coração que guarda e
restitui a inocência
Não poderia enganar a minha
confiança!
Em Ti, Senhor, repousa a minha
esperança
Depois do exílio, irei ver-Te no
Céu…
Quando no meu coração se levanta
a tempestade
Para Ti, Jesus torno a erguer a
cabeça
No Teu olhar misericordioso
Eu leio: «Filha, para ti, criei
os Céus.»
Sei que os meus suspiros e as
minhas lágrimas
São aos Teus olhos resplandecentes
de encanto
Os serafins no Céu formam a Tua
corte
E no entanto, mendigas o meu
amor!...
Queres o meu coração, Jesus, eu
dou-to
Todos os meus desejos entrego-tos
E aqueles que amo, meu Esposo,
meu Rei
Já não quero ama-los senão por Ti.
In Obras Completas. Pág.
777. Santa Teresinha do Menino Jesus. Edições Carmelo.
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