O demónio faz de tudo para não ser descoberto. Mostra-se muito
lacónico e procura todos os meios para desencorajar o paciente e o exorcista. Pode classificar-se o seu comportamento em 4 fases:
1- Antes de ser descoberto
2-Durante os exorcismos
3-Na proximidade da saída
4-Depois da libertação
2-Durante os exorcismos
3-Na proximidade da saída
4-Depois da libertação
1- Antes
de ser descoberto
Provoca distúrbios físicos e psíquicos.
A pessoa procura com médicos, mas nenhum suspeita da verdadeira origem dos seu
problema. Os médicos testam diversos medicamentos que resultam ineficazes, o
paciente pode mudar várias vezes de médico. Os doentes não são compreendidos
nem acreditados. O demónio mesmo no caso de possessão total (em que é ele que
fala e age servindo-se dos membros da sua infeliz vítima), não age continuamente,
mas intercala a sua acção (designada, em linguagem corrente, por momentos de
crise), com fases de sossego mais ou menos longas.
2-Durante os exorcismos
Em princípio o demónio faz tudo para não
ser descoberto, ou pelo menos para dissimular a amplitude da possessão, embora nem
sempre o consiga. Por vezes é obrigado a manifestar-se desde a primeira oração,
por causa da força dos exorcismos. Em certos casos logo desde a primeira ou a
segunda bênção, o demónio revela toda a sua força, que varia de pessoa para
pessoa, outras vezes, esta manifestação é progressiva. O demónio reage de forma
muito diferente às orações e às ordens. Muitas vezes mostra-se por mostrar-se
indiferente, na realidade, ele sofre e o seu sofrimento vai aumentando, até que
se chega à libertação. O Ritual determina que não se façam perguntas por pura curiosidade,
mas que se pergunte aquilo que apenas possa ser útil à libertação. Para ele
revelar o seu nome constitui uma derrota. Ele mostra-se sempre renitente em
voltar a repeti-lo nos exorcismos posteriores. Quando tem um nome bíblico é
mais duro de vencer. Mas a maior
dificuldade, na amioria dos casos reside na força como o demónio tomou posse duma
pessoa. Quando são vários demónios, o chefe é sempre o último a sair. Regra
geral o maligno, não prnuncia nem pode pronunciar os nomes: deus, Jesus.
Santíssima Virgem, podendo dizer «Ela», «a tua Patroa», «Ele», mas quando o
demónio é de um coro elevado (os demónios conservam o coro que ocupavam
enquanto anjos, como os Tronos, os Principados, as Dominações…), então pode
acontecer que pronuncie o nome de Deus e da santa Virgem, mas acompanhado de
terríveis blasfémias. Os demónios falam com precaução e quando falam dizem coisas
estúpidas a fim de distrair o exorcista e de escapar às suas perguntas.
O padre Cândido, um dia, convidou para
assistir a um dos seus exorcismos, um sacerdote que se gabava de não acreditar
nisso. Este aceitou o convite e, quando lá estava, adotou uma atitude de quase
desprezo, ficando com os braços cruzados, sem rezar ( ao contrário do que devem
fazer os presentes) e com um sorriso irónico nos lábios. A certa altura o
demónio dirigiu-se a ele:” Tu dizes que não acreditas em mim. Mas acreditas nas
mulheres, nelas acreditas, ah sim, nelas acreditas e de que maneira!” O
desgraçado recuou devagarinho em direção à porta e escapou-se a toda a pressa. Por
vezes o demónio pode querer desencorajar ou amedrontar o exorcista. “Não podes
nada contra mim!”, ou “Só estás a perder o teu tempo”. Porém perante certas
respostas fica silencioso: «Estou envolvido no manto da Virgem, o que é que tu
me podes fazer?»; «O Arcanjo Gabriel é o meu santo patrono tenta lutar contra
ele».
A presença do médico é útil, por vezes
não só para estabelecer o diagnóstico inicial, mas também para dar a sua
opinião quanto à duração do exorcismo. Sobretudo quando o possesso não goza de
boa saúde (ser cardíaco) ou quando o exorcista não se está a sentir bem.
3-Na proximidade da saída
É um momento difícil e delicado que pode
durar muito tempo. O demónio por um lado faz parecer que já perdeu uma parte
das suas forças, mas, por outro lado, tenta jogas aas últimas cartadas. Muitas
vezes tem-se a impressão quando o caso de uma doença vulgar a pessoa vai
melhorando e quando de possessão a pessoa vê o seu estado sempre a piorar, e no
momento em que ela já não pode mais, fica curada. Nem sempre as coisas se
passam assim, mas é o que acontece com frequência.
Para o demónio, deixar uma pessoa e
voltar para o Inferno, onde quase sempre fica condenado a permanecer, significa
morrer eternamente e perder toda a possibilidade de se mostrar activo.
O demónio chega a confessar que, durante
os exorcismos, está pior que no Inferno.
Um outro factor a ter em conta se se
quer ajudar as pessoas que estão em via de libertação, é que o demónio se
esforça por lhes comunicar os seus próprios sentimentos: ele não pode mais e
procura transmitir uma sensação de esgotamento intolerável; ele está
desesperado e tenta transmitir os eu próprio desespero ao possesso, sente que
está perdido, que já lhe resta pouco tempo para «viver», que não está mais em
condições de raciocinar corretamente e transmite isso ao paciente a impressão
de que tudo acabou, que a sua vida chegou ao termo e por vezes as vítimas
perguntam «Diga-me francamente, se eu estou louco!». Para o possesso, os
exorcismos também são cada vez mais cansativos e, por vezes, se não vêm acompanhados,
mesmo que forçados, faltam ao encontro. Tive mesmo casos de pessoas próximas da
libertação que desistiram totalmente de se deixar exorcizar. Da mesma forma que
muitas vezes, é preciso ajudar estes «doentes» a rezar, a ir à Igreja e a
frequentar os sacramentos porque eles sozinhos não conseguem. Também é
conveniente incitá-los a submeterem-se aos exorcismos e, sobretudo no momento
da fase final, encorajá-los continuamente.
4-Depois da libertação
É fundamental que a pessoa liberta não
afrouxe o seu ritmo de oração nem frequência aos sacramentos, e mantenha uma
vida cristã empenhada. Uma bênção de tempos a tempos, não será supérflua.
Porque acontece, com bastante frequência que o demónio ataque, isto é, que
tente voltar. Não precisa que ninguém lhe abra a porta. Contudo, mais do que de
convalescença, poderíamos falar duma fase de consolidação, indispensável para
assegurar a libertação.
Tive alguns casos de recaída: nos casos
em que não houve negligência da parte do indivíduo, em que ele tinha continuado
a manter um ritmo de vida espiritual intensa, a segunda libertação foi
relativamente fácil. Pelo contrário, a partir do momento em que a recaída foi
favorecida pelo abandono da oração ou, pior ainda, por se ter deixado cair num
estado de pecado habitual, então a situação só piorou, tal como conta o Evangelho
segundo S. Mateus (12,43-45): o demónio volta acompanhado de sete espíritos
piores do que ele.
Pe. Gabriele Amorth (reputado exorcista
da diocese de Roma)
In «Um exorcista conta-nos». Edições
Paulinas
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