16/08/2016

Como é que o demónio se comporta?


O demónio faz de tudo para não ser descoberto. Mostra-se muito lacónico e procura todos os meios para desencorajar o paciente e o exorcista. Pode classificar-se o seu comportamento em 4 fases:

1- Antes de ser descoberto
2-Durante os exorcismos
3-Na proximidade da saída
4-Depois da libertação

1-    Antes de ser descoberto
Provoca distúrbios físicos e psíquicos. A pessoa procura com médicos, mas nenhum suspeita da verdadeira origem dos seu problema. Os médicos testam diversos medicamentos que resultam ineficazes, o paciente pode mudar várias vezes de médico. Os doentes não são compreendidos nem acreditados. O demónio mesmo no caso de possessão total (em que é ele que fala e age servindo-se dos membros da sua infeliz vítima), não age continuamente, mas intercala a sua acção (designada, em linguagem corrente, por momentos de crise), com fases de sossego mais ou menos longas.

2-Durante os exorcismos


Em princípio o demónio faz tudo para não ser descoberto, ou pelo menos para dissimular a amplitude da possessão, embora nem sempre o consiga. Por vezes é obrigado a manifestar-se desde a primeira oração, por causa da força dos exorcismos. Em certos casos logo desde a primeira ou a segunda bênção, o demónio revela toda a sua força, que varia de pessoa para pessoa, outras vezes, esta manifestação é progressiva. O demónio reage de forma muito diferente às orações e às ordens. Muitas vezes mostra-se por mostrar-se indiferente, na realidade, ele sofre e o seu sofrimento vai aumentando, até que se chega à libertação. O Ritual determina que não se façam perguntas por pura curiosidade, mas que se pergunte aquilo que apenas possa ser útil à libertação. Para ele revelar o seu nome constitui uma derrota. Ele mostra-se sempre renitente em voltar a repeti-lo nos exorcismos posteriores. Quando tem um nome bíblico é mais duro de vencer.  Mas a maior dificuldade, na amioria dos casos reside na força como o demónio tomou posse duma pessoa. Quando são vários demónios, o chefe é sempre o último a sair. Regra geral o maligno, não prnuncia nem pode pronunciar os nomes: deus, Jesus. Santíssima Virgem, podendo dizer «Ela», «a tua Patroa», «Ele», mas quando o demónio é de um coro elevado (os demónios conservam o coro que ocupavam enquanto anjos, como os Tronos, os Principados, as Dominações…), então pode acontecer que pronuncie o nome de Deus e da santa Virgem, mas acompanhado de terríveis blasfémias. Os demónios falam com precaução e quando falam dizem coisas estúpidas a fim de distrair o exorcista e de escapar às suas perguntas.
O padre Cândido, um dia, convidou para assistir a um dos seus exorcismos, um sacerdote que se gabava de não acreditar nisso. Este aceitou o convite e, quando lá estava, adotou uma atitude de quase desprezo, ficando com os braços cruzados, sem rezar ( ao contrário do que devem fazer os presentes) e com um sorriso irónico nos lábios. A certa altura o demónio dirigiu-se a ele:” Tu dizes que não acreditas em mim. Mas acreditas nas mulheres, nelas acreditas, ah sim, nelas acreditas e de que maneira!” O desgraçado recuou devagarinho em direção à porta e escapou-se a toda a pressa. Por vezes o demónio pode querer desencorajar ou amedrontar o exorcista. “Não podes nada contra mim!”, ou “Só estás a perder o teu tempo”. Porém perante certas respostas fica silencioso: «Estou envolvido no manto da Virgem, o que é que tu me podes fazer?»; «O Arcanjo Gabriel é o meu santo patrono tenta lutar contra ele».
A presença do médico é útil, por vezes não só para estabelecer o diagnóstico inicial, mas também para dar a sua opinião quanto à duração do exorcismo. Sobretudo quando o possesso não goza de boa saúde (ser cardíaco) ou quando o exorcista não se está a sentir bem.

3-Na proximidade da saída

É um momento difícil e delicado que pode durar muito tempo. O demónio por um lado faz parecer que já perdeu uma parte das suas forças, mas, por outro lado, tenta jogas aas últimas cartadas. Muitas vezes tem-se a impressão quando o caso de uma doença vulgar a pessoa vai melhorando e quando de possessão a pessoa vê o seu estado sempre a piorar, e no momento em que ela já não pode mais, fica curada. Nem sempre as coisas se passam assim, mas é o que acontece com frequência.
Para o demónio, deixar uma pessoa e voltar para o Inferno, onde quase sempre fica condenado a permanecer, significa morrer eternamente e perder toda a possibilidade de se mostrar activo.
O demónio chega a confessar que, durante os exorcismos, está pior que no Inferno.
Um outro factor a ter em conta se se quer ajudar as pessoas que estão em via de libertação, é que o demónio se esforça por lhes comunicar os seus próprios sentimentos: ele não pode mais e procura transmitir uma sensação de esgotamento intolerável; ele está desesperado e tenta transmitir os eu próprio desespero ao possesso, sente que está perdido, que já lhe resta pouco tempo para «viver», que não está mais em condições de raciocinar corretamente e transmite isso ao paciente a impressão de que tudo acabou, que a sua vida chegou ao termo e por vezes as vítimas perguntam «Diga-me francamente, se eu estou louco!». Para o possesso, os exorcismos também são cada vez mais cansativos e, por vezes, se não vêm acompanhados, mesmo que forçados, faltam ao encontro. Tive mesmo casos de pessoas próximas da libertação que desistiram totalmente de se deixar exorcizar. Da mesma forma que muitas vezes, é preciso ajudar estes «doentes» a rezar, a ir à Igreja e a frequentar os sacramentos porque eles sozinhos não conseguem. Também é conveniente incitá-los a submeterem-se aos exorcismos e, sobretudo no momento da fase final, encorajá-los continuamente.

4-Depois da libertação

É fundamental que a pessoa liberta não afrouxe o seu ritmo de oração nem frequência aos sacramentos, e mantenha uma vida cristã empenhada. Uma bênção de tempos a tempos, não será supérflua. Porque acontece, com bastante frequência que o demónio ataque, isto é, que tente voltar. Não precisa que ninguém lhe abra a porta. Contudo, mais do que de convalescença, poderíamos falar duma fase de consolidação, indispensável para assegurar a libertação.
Tive alguns casos de recaída: nos casos em que não houve negligência da parte do indivíduo, em que ele tinha continuado a manter um ritmo de vida espiritual intensa, a segunda libertação foi relativamente fácil. Pelo contrário, a partir do momento em que a recaída foi favorecida pelo abandono da oração ou, pior ainda, por se ter deixado cair num estado de pecado habitual, então a situação só piorou, tal como conta o Evangelho segundo S. Mateus (12,43-45): o demónio volta acompanhado de sete espíritos piores do que ele.

Pe. Gabriele Amorth (reputado exorcista da diocese de Roma) 
In «Um exorcista conta-nos». Edições Paulinas

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